• Spike Lee e Camila

    Em um breve momento e único, durante as gravações do documentário "Go Brazil Go", em Salvador/Bahia.

  • Mulheres Lindas

    Em um bate papo com a jornalista Luciana Barreto e com a fotógrafa Natasha Montier as energias são recarregadas, os sonhos são compartilhados e muito aprendizado em cada instante de suas falas.

  • Mundo do Cinema

    No 8º Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Caribe Zózimo Bulbul, em maio e junho de 2015, no Rio de Janeiro.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Hoje olhei nos olhos de um assassino




Encarei com um olhar firme, com a respiração segura, tentando não demonstrar medo, porém no ar havia um cheiro de tiros, dois a queima roupa para ser mais específica, havia uma execução de um jovem negro nas mãos daquele cidadão que estava em minha frente. E ali estava eu querendo obter uma explicação e ao mesmo tempo estava encarregada, naquele momento e, em todos os minutos da minha vida, pela proteção do meu corpo, como diz Ta-Nehisi Coates, no livro “Entre o Mundo e Eu”, pois sabemos que os departamentos de polícia de meu país fora munido da autoridade para destruir meu corpo, destruir os corpos de meus semelhantes que tem a pigmentação da pele mais escura. Porém, esses destruidores raramente serão considerados responsáveis, pois eles são apenas homens que fazem cumprir os caprichos de meu país.

Então, depois de um período de investigação chegamos ao seu refúgio. Como se diz hoje em dia “eu tremi na base” e, em questões de segundos, senti as mais diversas sensações que pode-se imaginar. Um calor tomou conta de meu corpo, porém o suar que escorria de minhas mãos era extremamente frio, uma dor imensa surgiu em minha barriga como se não pudesse conter o líquido que poderá escorrer por minhas pernas. Indaguei, tentei argumentar e recebi uma resposta, uma resposta de como age a sociedade na qual vivo e ao bater o portão e dar as costas algo aconteceu … ele voltou. Eu respirei fundo e ele apresentou o racismo institucional da corporação. Novamente foi embora, mas dessa vez não voltou mais. Parecia que não escutava a minha voz alta do lado de fora do portão solicitando por mais respostas. Senti uma dor no peito. Senti raiva. Fiquei confusa e só conseguia pensar como seria a sensação de uma pessoa que sabe que irá morrer, mas sem saber o motivo, sem sequer ter o direito à defesa.

Houveram mais duas tentativas fracassadas, pois assim como eu outras pessoas anseiam por estas respostas. Mas não foi apenas um assassino, houveram outros. Falei com um por telefone e encontramos outro em um lugar público. Em seu tom de voz, em um exemplo para elucidar, então um caso fictício, um forte tom de ameaça pairava no ar. No entanto, milagrosamente, ninguém estava envolvido no caso.

Moramos na mesma cidade, andamos nas mesmas ruas e o meu olhar cruza os olhos de assassinos frios e calculistas. O meu irmão de cor foi morto, o padrinho de meu irmão foi morto, o irmão de criação de meu pai foi morto, o marido da amiga de minha mãe foi morto, uma família inteira foi morta, uma sociedade é executada a todo instante e é preciso proteger os nossos corpos, os nossos corpos negros, pois o nosso sangue escorrega pelo chão neste instante e para não nos afogarmos em um mar vermelho continuaremos olhando nos olhos dos assassinos e exigindo justiça.


domingo, 26 de março de 2017

Rasta - A volta dos que não foram


Cá estou eu novamente com o rasta em meus cabelos. “A volta dos que não foram”. Desde que me conheço por gente sempre tive ao meu redor pessoas próximas que usam rasta, entre eles incluindo meu pai (com mais de 27 anos sem corta o cabelo), o painho Luiz Orlando, o militante negro Caco (que muitas pessoas confundiam com o meu pai biológico), além do pessoal da banda de reggae Produto Nacional que eram amigos dos meus pais e por isso muito próximos. Porém, também existiam mulheres rastas, entre elas a minha madrinha Maria Conceição Fontoura e as militantes negras Luiza Bairros, Lucia Brito e Nina Fola. Depois teve as mais jovens Malizi Fontoura, Dedy Ricardo e Kizzy Barcelos. 

Bom, então esse universo rasta povoava as cabeças de uma população gaúcha, que para mim era de família e amigos, porém que hoje percebo que são de personalidades, intelectuais negros /negras que fizeram e fazem a nossa história. Por influência de pai, de mãe (que sempre quis ter e sempre incentivou), de irmão que teve por alguns anos, de prima e madrinha, e do painho baiano (não o biológico que tem esse mesmo apelido, mas o outro), decidi fazer o rasta, aos 14 anos, depois de um verão em Salvador, no qual eu só via pessoas rastas pelas ruas, voltei para capital gaúcha convicta desse pensamento. Me tornei rasta (de cabelo, não da cultura rastafari), de forma natural, deixando o cabelo pegar o formato e a espessura que lhe cabia. 



Nesse mesmo período entrei no Curso Normal (magistério), era a única professora infantil que virá rasta. Logo em seguida entrei no Curso de Comunicação e lá também era a única estudante rasta.  No entanto, eu era meia rasta, só da metade da cabeça para trás, na frente eu deixava crespo para poder modificar, fazer tranças rasteira, solta ou simplesmente deixar black. Vivia em constante mudança, inclusive na cor. Já pintei de loiro, vermelho, e certa vez, ao mesmo tempo pintei de preto, vermelho e loiro. Isso teve consequências. Meu rasta, em 14 anos, nunca passou da cintura, e olha que o objetivo era chegar aos pés como o de painho (o biológico), porém ele sempre quebrava. 

Não lembro de ter problemas em questão de trabalho por ostentar um rasta, nem nos estágios mais formais. Sempre me senti bem em ter esse tipo de cabelo, por ser diferente, por poucas pessoas usarem na época, por ser meia rasta, ou ser a “irmã confusa”, como alguns amigos me chamam por não decidir se queria ser rasta ou black. Na verdade acredito que nunca me encaixei em determinados padrões e isso foi possível pelos ensinamentos que tive desde pequena, no qual aprendi que posso ser o que eu quiser. Enquanto pessoas brancas acham que o nosso conhecimento significa ser “negas metidas”, somos na verdade pessoas que conhecem a nossa história, a história brasileira, a nossa cultura e de nossos ancestrais sempre respeitando, e se isso significa ser metida para essas pessoas, eu digo: “Sim, eu sou metida, porque eu posso e porque voltei a ser rasta, meu bem. Voltei para minhas origens”. 




Porém, preciso confessar que quando estava com 28 anos prestes a completar 29 anos, quis mudar, saber como era o meu cabelo crespo, pois não lembra como era ter black e então tomei a decisão de cortar o rasta. Fiquei com o black bem curtinho e creia foi mais complicado do que eu podia imaginar. Os cuidados, os cremes, o corte, tudo era diferente. Antigamente eu só me preocupava em passar o óleo de copiaba e apertar o rasta, agora tinha que me dedicar diariamente quase uma hora aos cabelos para deixar de uma forma que me agradece. Em um ano de black conheci outra realidade e entrei em outros debates. Percebi que meu cabelo cresce para cima, não descobri qual era o tipo do crespo (risos), mas verifiquei que cresce rápido, que não são todos os shampoos que podia usar nem cremes, e que manter um black significa ter dinheiro. 


Saudosa e cansada dessa função toda do black, após um ano, voltei para o meu rasta, mas para fazer diferente novamente, dessa vez fiz a cabeça toda, pois não tive paciência para cultivar naturalmente como da primeira vez. Agora contei com ajuda de Zeus e em apenas quatro horas estava de volta ao mundo rasta. Porém dessa vez eles ainda estão curtos. Quero pintar. Quero eles nos pés logo. Quero sacudir as minhas raízes. Quero ser rasta por mais alguns anos enquanto não sentir a necessidade da mudança. Quero poder voltar a fazer o lendário cumprimento: “Ea, rasta!”.


“Quando me vê abre os braços, me de um sorriso, sou eu negro lindo, sou eu, sou eu!” (Parangolé) 









quinta-feira, 23 de março de 2017

#Quase30 - A Crise dos 30 anos


Preste a completar 30 anos me encontro em uma encruzilhada cheia de conflitos na cabeça que nem eu aguento suportá-los. Na maioria das vezes parecem que vão me sufocar, que serei engolida por tantos pensamentos. Eles conseguem, não sei como, serem mais rápidos que as minhas próprias ações. 

Estamos na fase adulta, dizem que nesse período da vida é preciso ter uma família constituída, uma estabilidade financeira, um imóvel, e a vida segue bem e confortável com a rotina de um trabalho de 60 horas semanais (para se aposentar com 85 anos) e cuidados com a família (marido/esposa, filhos, compra de final de mês, material escolar, etc e tal). Bom, chegamos na fase do meu desespero. Não tenho essa vida patrão formada e, no fundo do coração, acho que não é isto que quero para mim, porém me preocupa muito em não ter uma estabilidade financeira, em não conseguir sobreviver de forma digna com aquela profissão que escolhi e me ver obrigada ir em busca de outros trabalhos para poder dar conta das demandas financeiras. Em não seguir uma vida acadêmica, pois todos almejam por isso (mestrados e doutorados), dissertações e teses, que na maioria das vezes fica só no papel e não chega de fato naquela comunidade, naquelas pessoas. Como fazer/construir uma mudança coletiva? Realizar oficinas nas comunidades é a única opção? É mais imediato que um artigo escrito e publicado em alguma revista acadêmica? 

Não sei as respostas, mas sei que o que está acontecendo em minha vida é fruto das escolhas que fiz. Essa semana me senti estagnada, pois aqueles conhecidos estão todos com os seus respectivos mestrados e doutorados e me vi fazendo uma comparação entre nossas vidas. O que de fato eu fiz em quase 30 anos de existência? Não tenho filhos. Não consigo sobreviver de forma digna da profissão que escolhi desenvolver. Não tenho um imóvel no meu nome. Não plantei uma árvore e muito menos escrevi um livro. Muitas vezes brigo com meus familiares, deixando de falar com alguns deles. Não sei lidar com a questão da velhice se aproximando na família. Por mais que os outros digam que a culpa da queda não foi minha, era eu que estava com ela em casa. Ela estava sob os meus cuidados e eu não consegui cuidar me minha vó e hoje estamos vivendo esse quadro de alzamier tão doloroso. Não quero chegar nessa idade e depender de outras pessoas para cuidar de mim, sem ao menos conseguir fazer as necessidades básicas. Prefiro morrer antes dessa fase. 



Diante disso, a única pergunta que ronda em minha cabeça é essa: O que eu fiz da minha vida nesses quase 30 anos de existência? Consegui realizar um sonho de ir para Nova Iorque e viver plenamente tudo que a cidade podia me oferecer. Sem dúvidas foi o momento mais feliz que já vivi. Essa experiência foi fruto de um trabalho desenvolvido com comunicação e cultura negra (minha paixão, minha militância). Nessa ocasião, por alguns meses acreditei que tudo era possível. Que fazer um trabalho de qualidade pode abrir portas e lhe levar para onde deseja. Cumpri uma missão. Dei um retorno de todo um investimento que foi feito em minha carreira, passando pelos meus pais até ao CECUNE quando fez a parceria com uma instituição de ensino superior e proporcionou bolsas integrais de estudo para pessoas negras de baixa renda. 

Na verdade, o que eu penso que quero, mas não sei se é real, ainda tenho minhas dúvidas, era/é poder ter estabilidade financeira e viajar pelo mundo, fazer reportagens, produzir a revista eletrônica Acho Digno e poder pagar todos os profissionais envolvidos em cada edição. Eta, sonho de consumo bom. Por que isso é impossível? Não estou pedindo coisas improváveis de acontecer, como ter um casamento feliz e fiel (risos). Vejo pessoas próximas em relacionamentos frustados e não consigo compreender porque se submetem em estar naquela condição. Porém, confesso que é muito chato toda hora ouvir as mesmas perguntas. Você vai casar quando? Como não quer ter filhos? Você veio sozinha? Eu nunca vi ninguém fazer essa última pergunta para um homem quando chega desacompanhado em uma festa, porém constantemente me fazem essa indagação, e acreditem não é porque estão preocupados com a minha segurança. 


Enfim, estou em crise. Na famosa e temida crise dos 30. Será que quando chegar no dia 21 de abril (feriado porque eu nasci) terei todas as repostas das perguntas colocadas acima? Quando completar 30 anos a crise vai embora e tudo estará resolvido como num passe de mágica? Angustias e anseios. Queria poder pensar menos. Queria poder me satisfazer com essa vida padrão pré determinada. Queria ser simplesmente Camila de Moraes, sem amarras, sem rótulos. Queria ou quero? Enfim, quase 30, quase louca, quase adulta, quase sem coragem de enfrentar o mundo lá fora.

Fotos: Alisson Batista

domingo, 9 de outubro de 2016

O Retorno - "Respeito muito minhas lágrimas. Mais ainda mais minha risada"

Assim que o mês de setembro início eu comecei a falar que o meu tempo estava acabando, que não ia mais dormir. Aí as pessoas me respondiam que eu ainda tinha um mês. Porém passou tão rápido. Sabe quando aquilo está tão bom, passa num piscar de olhos e você nem sente? Foi bem assim que aconteceu. Eu acordava, sai cedo, tentava fazer o máximo de atividades na rua, voltava exausta, dormia e acordava já para sair.

A minha intenção era fazer um diário de bordo semanal. No mês de agosto cumprir essa meta rigorosamente. Sentia vontade de escrever todo o momento, mas no mês de setembro parecia que não tinha tempo para sentar na frente do computador e achar as palavras corretas para colocar no texto, pois precisar sentir na pele toda aquela emoção, vivenciar o momento, porém também precisava compartilhar tudo que estava sentido, pois como estava lá do outro lado da América sozinha, sentia a necessidade de falar. Não podia ligar para a família toda hora, mas podia escrever numa rede social pequenos posts do que estava ocorrendo. Essa experiência foi tão boa quando estava lá, pelas curtidas e comentários. Já estava até pensando em fazer carreira de comediante. Mas o retorno foi melhor ainda. Hoje vai completar uma semana que voltei para o Brasil e tenho encontrado as pessoas nas ruas, elas me cumprimentam com um sorriso enorme no rosto. Trocamos olhares largos e risadas altas. Elas me contam que acompanharam tudo de perto, em tempo real, que também já podem dizer que estiverem em New York pelo meus relatos, que deram muitas risadas com os micos vividos. Comentei com uma que iria ter um lançamento da revista e que ia ter uma conversa sobre essa experiência para contar como foi a temporada lá e ela respondeu: "Eu já sei, acompanhei tudo de perto. Uma diva. Foi muito legal mesmo". É tão bom ouvir isso. Saber que é possível para qualquer um de nós. Precisamos acreditar nos nossos sonhos e ir em buscar deles para torná-los realidade. Outra pessoa me disse que achou estranho eu, Camila de Moraes, postar fotos toda hora, isso não era do meu fetil. Respondi: "Gente, não é toda hora que eu estou em New York. Não sei quando eu vou voltar. É tudo muito novo para mim. Então eu vou postar tudo, quero poder compartilhar esse momento com quem estiver interessando".

Estados Unidos com um todo é considerado "um sonho americano". E não era diferente comigo. Eu sempre quis ir conhecer a "capital do mundo". E eu tive a oportunidade de ir em uma condição favorável, fazendo uma residência artística para ficar dois meses na cidade para fazer o que eu realmente gosto, que é escrever para a revista eletrônica Acho Digno. O Projeto Identidades Transatlânticas, selecionado em um edital de cultura do estado da Bahia me possibilitou essa vivência. Eu acreditei que seria possível, pois já havia inscrito em outro edital, tinha sido aprovada, mas no final não fui selecionada, mas não desisti. Ainda bem!! Continuei insistindo. Acreditando ser importante o que fazemos, o que cada um faz, pois queremos contar a nossa história. Por isso, escrevo o trecho da música de Caetano Veloso "Respeito muito minhas lágrimas. Mais ainda minha risada". Era só isso que fazia lá e aqui lembrando dos momentos. Eu chorei algumas vezes. Chorei por não acreditar que o meu sonho estava se tornando realidade. Chorei porque não conseguia me comunicar, logo eu que vivo disso, trabalho com isso, não conseguia manter um dialogo com as pessoas de lá. Creio que isso foi o mais difícil dessa viagem. Por mais que em algumas vezes tivessem algumas pessoas para fazer a tradução, não era a mesma coisa, nunca a conversa era inteira. Que aguinia que me dava. Uma sensação de impotência e perceber o quanto é importante saber outro idioma. Quero que meus sobrinhos desde pequenos saibam outros idomas, pois me parece ser mais fácil aprender enquanto criança. Não só os meus sobrinhos, mas todos. Para além das lágrimas teve muitas risadas, uma das minhas características é o riso alto. Não consigo controlar. Então, respeito todos esses sentimentos vividos profundamente entre lágrimas e risadas.

Infelizmente, hoje eu tenho medo de viver no Brasil.No meu país, num país que está extremamente violento com um governo que não está preocupado com a sua nação. Eu falei, se eu pudesse eu não voltava. Eu vi outra realidade, outras culturas convivendo juntas, não quero voltar para esse mundo de cabresto. Minha família negra está sendo morta a todo instante, ao mesmo tempo meus irmãos negros estão matam uns aos outros para poder tentar sobreviver. Eu não quero mais ver e viver isso. Existem tantas outras formas de pensar, ser e agir. Podemos fazer a diferença. Podemos ser diferentes. Eu fico triste em pensar que eu preciso sair do meu país para ter uma vida feliz e digna. But, quero fazer isso nesse momento. Eu quero viver! Quero ser feliz sem medo de ser morta. Sem horário para andar na rua. Sem corrupção. Quero ter um salário digno que condiz com o trabalho que exerço.

"Eu existo comunidade!". Essa era uma fala de uma personagem de um espetáculo teatral no qual eu fiz a produção. Quando escutei isso, bateu tão fundo a identificação. Vivo em um país racista que se esconde atrás de uma máscara chamada "democracia racial, aqui existe", que se diz um país mestiço, que chama as pessoas de negras de parda e morenas, mas que discrimina pelo fato de ter a melanina acentuada. No auge dos meus quase 30 eu não sei mais conviver com essa questão. Não quero enlouquecer, não quer surtar, mas quero viver tudo que há de melhor com leveza, com um sorriso no rosto e dinheiro no bolso.

Em New York conheci muitas pessoas que foram em busca desse tão famoso sonho americano, mas que vivem com depressão, pois a realidade é muito dura e cruel não só aqui no Brasil, mas lá também. Porém, de alguma forma, ainda é melhor viver em uma condição ruim lá  do que voltar para o Brasil e viver em uma condição ruim aqui, porque o ruim aqui é ruim mesmo, lá ainda dá para ser ruim e ter um iPhone 6 e comida da geladeira, tipo assim.

Então, o que me resta nesse momento é respirar fundo, respeitar as minhas lágrimas, a minha saudade de NY, as minhas risadas e achar outras possibilidades de vivência nesse país no qual nasci e que meus antepassados construíram com muita garra, dor, suor e sofrimento. No entanto, temos a marca de sermos fortes e alegres. Vamos buscar essa força para seguir em frente nessa conjuntura atual difícil pela qual nos encontramos.


Obs.: Esse texto eu iniciei pensando em fazer um resumo do que foi o meu mês de setembro em New York, até por isso o título, mas a escrita me levou em outra direção. Porém, o próximo texto será esse resumo com algumas fotos de lá.