• Spike Lee e Camila

    Em um breve momento e único, durante as gravações do documentário "Go Brazil Go", em Salvador/Bahia.

  • Mulheres Lindas

    Em um bate papo com a jornalista Luciana Barreto e com a fotógrafa Natasha Montier as energias são recarregadas, os sonhos são compartilhados e muito aprendizado em cada instante de suas falas.

  • Mundo do Cinema

    No 8º Encontro de Cinema Negro Brasil, África e Caribe Zózimo Bulbul, em maio e junho de 2015, no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Estamos vivas! Com 30 anos de existência e contrariando as estatísticas desse país racista, conhecido como Brasil







Essa semana eu vi a Bio da revista Muito do Jornal A Tarde no qual foi com essa pessoa que escreve aqui. O título dizia: "O ativismo abre caminho". Sabe como é né? Você concede uma entrevista e a repórter faz a matéria/notícia e dá o título. Nesse caso eu gostei e voltei a refletir. Tudo que foi trilhado até aqui foi por esse caminho e sou muito grata por isso.








A Dinda Con (Maria Conceição) solicitou que escrevesse um artigo falando desse caminho e eis que ele foi publicado na tese de doutorado de Maria Conceição Lopes Fontoura intitulada: INVASÃO / OCUPAÇÃO DA UFRGS: diálogo com docentes de cursos de licenciaturas sobre Programa de
Ações Afirmativas e Educação das Relações Étnico-Raciais-ERER. PPGEDU/FACED/UFRGS, na data de 31.10.2017.

Para minha surpresa na defesa da Dinda Con como lembrança tinha esse outro artigo (foto), no qual escrevemos juntas para o jornal Zero Hora, quando ainda era estudante de jornalismo do IPA/RS, falando sobre a necessidade de adotarem ações afirmativas nas universidades federais. O nome do artigo é "A hora da reparação na UFRGS". Lembro que nesse período de aprovação de cotas na Universidade do Rio Grande do Sul, junto com uma série de outras pessoas ocupamos a universidade por dias, fizemos uma série de ações e até hoje tem forte na mente a lembrança de quando o Reitor estava nas escadarias da Universidade cercado por uma multidão e nós gritávamos "Quem não pula é racista, quem não pula é racista". Era uma massa de pessoas tudo pulando ao mesmo tempo e o Reitor foi obrigado a pular junto.

Bom, essas e outras ações ficam marcadas na nossa história e trilham o nosso caminho. Sim o ativismo abre caminhos, pois a minha vida negra importa, as nossas vidas negras importam. Agora segue o artigo novo.
Viva as cotas!!! Sou cotista!!!

Estamos vivas! Com 30 anos de existência e contrariando as estatísticas desse país racista, conhecido como Brasil. Não apenas a minha pessoa resiste nesse território, mas os meus também cuja a sua sobrevivência foi possível devido aos seus pais militantes do movimento negro ao lado de grandes mulheres e homens negros fizeram e fazem a história da nossa sociedade. Além de ser oriunda dessa família também sou filha do sistema de cotas no ensino superior. Vinda de uma rede pública de ensino na educação infantil, fundamental, e ensino médio. Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelo Centro Metodista do Sul - IPA, em Porto Alegre -RS, com bolsa de 100% para estudantes negras/negros, e atualmente graduanda do Bacharelado Interdisciplinar em Artes da Universidade Federal da Bahia, com cotas para estudantes negras/negros. Analisando essa história e de tantos outras pessoas negras é possível perceber a importância da implementação de políticas de ações afirmativas e as mudanças positivas que geram na população, pois a educação é matéria de todo o tempo. O conhecimento é o nosso maior poder. A partir dessa trajetória de estudos foi possível realizar tantos sonhos como a criação de um veículo de comunicação destinado para comunidade negra, a revista eletrônica Acho Digno. A troca de experiências, a inspiração no trabalho do outro, o espelho, a admiração por uma população negra que tanto luta por direitos e vida digna nos permitiu realizar uma residência artística de dois meses em New York (EUA) para conhecer mais sobre as nossas identidades transatlânticas. A luta está no nosso DNA, o caminho escolhido por mim foi por meio da comunicação e da arte, seja com a revista Acho Digno ou no cinema com o longa-metragem O Caso do Homem Errado, denunciamos o estado genocida que mata a nossa juventude negra, mas também mostramos as nossas conquistas, vitórias, assumimos o papel de protagonistas da nossa história. Nossos passos vem de longe e sigo no caminho já trilhado por Dona Iolanda Soares de Moraes, Seu Zé Soares de Moraes, Volmes Lopes, Luiz Orlando da Silva, Paulo Ricardo de Moraes, Vera Lopes, Horácio Lopes de Moraes, Quênia Lopes de Moraes. Há família de sangue e a família do movimento negro que tanto nos ensina, meu máximo respeito. Que os nossos sobrinhos, em nome de Aluiatan Roza de Moraes e Tainá de Moraes e a nova geração possam usufruir de um país mais justo e igualitário. Que nunca percamos as nossas referências. Como sempre lembra a socióloga baiana Vilma Reis parafraseando Lélia Gonzalez, “em uma sociedade racista, uma pessoa negra tem que ter nome e sobrenome, senão o racismo coloca o nome que quiser”, então me apresento, sou Camila de Moraes, jornalista, cineasta, produtora cultural, uma mulher negra brasileira. 






terça-feira, 28 de novembro de 2017

Para alguns cafona para outros uma forma de experimentar nova cultura

Ainda bem que somos seres humanos e pensamos diferentes. A diferença do fuso horário de Guadalajara (México) para o Brasil é de - 4 horas. Hoje acordei uma mensagem em meu celular, sim durmo com o celular perto da cabeça, sei que faz mal, ainda tentando mudar esse hábito até porque as vezes tenho vontade de tocar ele longe de tanto que vibra. Mas voltando para mensagem, eis que resolvo abrir e era uma conhecida comentando essa foto (que está ao lado de chapéu) falando o quanto cafona era. Com certeza ela estava falando com outra pessoa e sem querer encaminhou para mim. Fiquei chateada por um instante em saber que pessoas conhecidas possam fazer esse tipo de comentário, mas ao mesmo tempo em impulsionou a escrever esse texto, pois como havia dito que essa trip viria com textos sobre a cidade, porém a minha rotina aqui ainda não havia me deixado parar em frente ao computador para escrever. Então lá vamos nós, porque a proposta aqui é falar de Guadalajara e as novas experiências e gaf.

Rotina: Acordo cedo, mas não levanto. O celular já ta a mil com mensagens do Brasil que já ta no meio da manhã. Ainda escuro na cidade. Quando consigo levar a rotina é conhecer os locais da cidade, ir para as atividades obrigatórias com prazer, comer, passar mal, tirar fotos, viver a experiência de outra cultura, pedir informação, e pedir mais informação, caminhar bastante e voltar exausta para casa.

Desde que cheguei na cidade estava procurando um chapéu típico, colorido para tirar foto lógico e quem sabe, se sobrar grana, comprar um, mas como colocar na bagagem? Quanto a foto cafona, saiba que ainda entrei na fila para fazer a foto. Sim que quis, para mim não é ser cafona e sim uma diversão e ainda bem que temos olhares diferentes sob diversas perspectivas de mundo.


As pessoas aqui percebem que não sou da cidade. A cor da minha pele, o meu cabelo, o meu modo de vestir, tudo denuncia. Certa vez estava andando num museu e uma família me parou para saber de qual lugar do mundo que era. Quando falo Brasil as pessoas aqui conhecem bastante sobre a nossa cultura, fico até meio sem graça, porque até então pouca coisa sabia sobre Guadalajara. Ontem, na Feira do Livro estava com um macacão verde da Mada Negrif, um lenço azul na cabeça (era para ser um turbante, mas não consegui fazer kkk) e uma capona cinza por cima. Um grupo de cinco jovens me cutucou, duas meninas e três meninos, todos brancos. Olhei para trás, parei e aí me perguntaram se falava espanhol e pediram para tirar uma foto comigo, pois segundo eles estava muito bonita. Ganhei o dia. Conversamos um pouco sobre a Feira e a cultura de cada estado e seguimos em frente, cada um em sua direção.

Em outra ocasião estava no centro histórico assistindo a intervenção artística de uns meninos que pulavam mega alto e umas crianças que faziam algo incrível com seus corpos e dava risada com aquele espetáculo até que senti uns flash em minha direção. Virei o corpo e voltei a prestar atenção na apresentação, mas os flashs não param aí olhei bem séria para o cara e perguntei: "É verdade que você está tirando foto minha sem se quer pedir autorização?" Ele se virou e foi embora. Há uma diferença nos dois modos de agir e enxergar o mundo. Podemos ter mais delicadeza, podemos ser mais gentis com os nossos e com o próximo.

Comidas: Tenho tentado me permitir experimentar novos sabores, tudo sem pimenta é claro. Geral me avisando que a comida mexicana é forte. Achei que estava preparada. O pior é que tenho experimentado umas comidas boas, saborosas no início, como com prazer, tá certo que um taco com repolho não gostei muito, mas os outros pratos era mega bom até passar algumas horas. Pra quê? Para que algo acontece em minha barriga. Ontem cheguei como na casa que estou hospedada? Querendo ir direto ao banheiro e toda a família estava na sala e ainda queriam conversar, saber como foi o dia. Um espanhol rápido que demoro para entender, um português que eles não entendem, uma conversa básica de 15 minutos vira algo de 45 minutos e eu fico como?? kkkkkk

Bebidas: Me avisaram bastante para não aceitar bebida de estranho, levar sempre o como consigo para todos os lados, pois há um alto indicie de pessoas que passam mal ao ingerirem substâncias que são colocadas em suas bebidas sem a sua permissão. Sabendo disso e tentando tomar o maior cuidado vou ao supermercado fazer comprar para a casa e a primeira coisa que me oferecem é uma dose de uma tequila. Aceitei de imediato. Eta coisa forte! E depois de conseguir terminar o copo me lembrei que não deveria aceitar bebida de estranho, putz .... Mas acho que em supermercado pode, né? kkkk

Airbnb: Minha primeira vez e está sendo ótima. Melhor que muitos hotéis que já fiquei. Uma casa
enorme, uma suite maior ainda (pense aí), num bairro chique e pertinho da Feira do Livro. A dona da casa uma querida, todos os dias prepara para mim um prato de frutas cortadas e suco. Tem um fruta que não sei o nome e o gosto é bem diferente. Tem que comer, né? Mas tudo certo, vamos em frente. No primeiro dia não sabia chegar no endereço. Ela não queria que fosse de táxi porque não confiava. Não queria que fosse a pé porque podia me perder. Chamou um motorista amigo que não podia fazer a corrida. Então ela parou o que estava fazendo e me levou de carro até o local. Dona Maria Elena uma fofa demais. Super recomendo. Quem quiser contato em Guadalajara é só me avisar. Fica a dica.

Guadalajara: Uma cidade grande. Comparando ao Brasil dizem que está na proporção de São Paulo. Uma cidade limpa com bastante verde. Vi poucas pessoas pedindo na rua. Vi apenas três pessoas negras. O ônibus daqui parecem de filme da década de 50 e se chama caminhão. As pessoas falam "Pega o caminhão tal. Você pegou o caminhão hoje?" Fico pensando: Que caminhão gente? Até que depois caí a ficha, mas sempre penso a mesma coisa kkkk. Muito abestada. E o bonequinho da sinaleira! Dou risada sozinha. Ele fica andando enquanto você pode atravessar e aí quando o tempo vai acabar ele começa a correr. Acho que só eu dou risada disso, mas dou toda hora que vejo uma sinaleira kkkk. A Feira Internacional de Livros é mega gigante com gente de todo mundo. É uma das feiras mais importante que existe e isto situa Guadalajara como um polo comercial e cultural. Este ano Madrid (capital da Espanha) é cidade homenageada. Todos os dias muitas atividades e muito cultura nova.

Bom, a minha meta é a Glória Maria com mais de 15 passaportes com todas as folhas carimbadas. Eu já tenho dois passaportes, tá certo que um ficou sem carimbo, mas o atual já tem as duas primeiras páginas cheia de carimbo kkkk. Sendo cafona ou não vou vivendo as melhores experiências, que nem em sonho se quer eu podia imaginar. Só tenho a agradecer!!! Eternamente grata por todos os sonhos e projetos realizados em conjunto.


































quinta-feira, 20 de julho de 2017

A dor é verdadeira. A causa é a minha existência

Artigo feito para revista eletrônica Cia Ponto Art de Salvador
Por Camila de Moraes 






Com esse sentimento compartilho com os leitores da revista eletrônica Cia Ponto Art, de Salvador/Bahia, essa reflexão que tanto me angustia, essa dor verdadeira, que nos mata a todo instante, pois estamos falando do genocídio da juventude negra. Segundo o relatório da CPI Senado sobre o Assassinato de Jovens no Brasil, em meados de 2016, mostrou que todo ano 23.100 jovens negros de 15 a 29 anos são assassinados. 82 jovens são mortos diariamente. 77% são negros. Por essa razão gritamos que vidas negras importam, a minha vida importa, a vida da minha família (população negra) importa. Então parem de nos matar. 



Seguindo na reflexão do nosso título, "a causa é a minha existência”, conseguimos no dia 11 de maio de 2017, concretizar um projeto de vida que durou oito anos para ser concluído, o documentário de longa-metragem chamado “O Caso do Homem Errado”. A pré-estreia do filme ocorreu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, que segundo dados do relatório Desenvolvimento Humano para Além das Médias, divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), no início do mês de maio deste ano, a capital gaúcha é a cidade com maior desigualdade entre negros e brancos no Brasil. A obra fílmica aborda um caso específico que aconteceu no dia 14 de maio de 1987 com operário negro Júlio César de Melo Pinto que foi executado pela Brigada Militar do estado por se enquadrar no perfil que a sociedade considera suspeito e violento. Nessa data havia ocorrido um assalto em um supermercado e Júlio César, que morava nas proximidades teria ido conferir o conflito, porém ele tinha epilepsia e nesse momento teve uma crise, alguns populares o acusaram de fazer parte do assalto. Sob os flashes do repórter fotográfico Ronaldo Bernardi, que registrou toda ação policial, colocando Júlio César vivo dentro da viatura com apenas um machucado na boca, devido ao estamento que sofrerá na hora por alguns policiais. Em seguida, o repórter se dirigiu para o Hospital de Pronto Socorro para registrar a chegada de Júlio César ferido nessa ação. Porém,  Bernardi levou sete minutos para chegar no hospital e a viatura levou mais de 30 minutos e ao chegar no HPS Júlio César estava morto com dois tiros. A partir dessas fotos, Júlio César vivo dentro da viatura e morto no HPS, foi possível constatar que houve uma execução no percurso.  

Esse caso ganhou notoriedade na época e ficou conhecido como “O Caso do Homem Errado”, o mesmo título do
documentário. Foi uma luta da família, do movimento negro em conjunto com o movimento de direitos humanos, que conseguiram comprovar o assassinato, descobrir os policiais envolvidos e exigir justiça do estado. Porém, até os dias atuais a família de Júlio César nunca foi indenizada financeiramente, é preciso lembrar que dinheiro nenhum irá trazer uma vida de volta, mas é extremamente necessário para tentar manter a família estruturada financeiramente. A minha dor permanece viva após trinta anos, pois quantos Júlios César são assassinados diariamente em nosso país e não tem nem o direito de serem enterrados. A dor de quem fica por trás desse contexto todo é muito cruel e dura. Essas mortes desestrutura famílias inteiras, desestrutura uma sociedade. Nesses episódios aparecem as vítimas ocultas, as mulheres, mães, esposas, irmãs, que permanecem lutando para sobreviver. No caso do documentário, Dona Maria Sebastiana (mãe) e Juçara Pinto (esposa), são as nossas guerreiras nessa luta, devido a sua força seguimos na batalha por nossa juventude negra viva. 

O racismo no Brasil é estrutural. O documentário “O Caso do Homem Errado” tem a proposta de abrir uma reflexão com a sociedade sobre o genocídio da população negra. Com esse pensamento, não fizemos apenas uma exibição do filme no dia 11 de maio de 2017, antes fizemos questão de fazer um ato político na Esquina Democratica, no centro de Porto Alegre, e seguimos em marcha até a Cinemateca Capitólio Petrobras. Com cartazes que levavam nomes de jovens negros mortos ou que estão em processo de injustiça, sempre com a mensagem que vidas negras importam. O filme agora irá fazer uma carreira por festivais e a sua previsão de entrar em cartaz, nacionalmente, é para o início de 2018. 

Clique aqui para acessar a revista Cia Ponto Art

https://issuu.com/revistapontoart/docs/revista_ponto_art_-_7___edi____o-__

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Procuramos personagens - Nos apresente a sua família

Oi Pessoal, estamos com um novo projeto de filme e para tanto estamos procurando personagens. Se você acha que na sua família existe aquela pessoa que com certeza seria um personagem de cinema, nos apresente, conte um pouco sobre ela e seus trejeitos, vai que a figura dela faça parte da nossa história também e entre para essa família doida que tenta fazer arte por meio do audiovisual.

Conte aqui nos comentários, okay?! Aguardamos a sua colaboração.