quinta-feira, 6 de julho de 2017

Aos encontros da vida: Um breve passeio na Chapada Diamantina


Foi breve, mas intenso e uma experiência muito boa. Há sete anos morando em Salvador sempre escutei falar muito da Chapada Diamantina, mas até o momento não tinha ido ao local por falta de organização mesmo, sempre deixando para depois, um dia, uma viagem para se fazer antes de ir embora da Bahia e etc e tal. Eis que o maravilhoso site Couchsurfing age novamente em minha vida e como sempre tão maravilhoso, traz surpresas incríveis.



Quando fui fazer a residência em NYC e não tinha local para ficar me apresentaram o site que, no final não usei para hospedagem, mas usei para outros contatos, entre eles ensinar português para conhecer uma New York que não está nas mídias, ou para fazer piquenique no Square Washington Park, ou ainda para curtir umas festas com pessoas de todos os lugares do mundo com direito a ir no palco e dançar com o cantor. Mas voltando ao Brasil, depois dessa experiência continuamos hospedando as pessoas no Ap. Cheio de Assunto em Salvador e dessa vez conhecemos o espanhol Francis Perez, but Francis já sabia que iria fazer essa viagem pela América então nós já estávamos em contato há mais de um ano e cada um acompanhando a trajetória do outro pelas redes sociais. As nossas viagens (mas dele que as minhas) e sempre conversando. 


Eis que ele chegou na Bahia e a hospedagem em Salvador já estava garantida. Em uma conversa na cozinha querendo saber por quais locais já tinham ido e para aonde ia ele pergunta: - Você já conhece a Chapada Diamantina? Respondo que não, mas que tinha vontade de conhecer um dia, pois todo mundo fala que é lindo e ele faz o convite: - Então, vamos para Chapada Diamantina? Respondi: - Porque não? Vamos! Foi simples assim. Resolvemos as datas, ele planejou os roteiros, arrumei a mochila na última hora e antes ainda perguntei: - Você não é nenhum assassino, né? kkkkk



Achei que estava preparada para essa aventura, sou uma pessoa que adora o novo, but meu deuzu "guria de apartamento" indo para primeira trilha de verdade foi bem engraçado. Isso que foi leve a primeira parte do roteiro. Não pense que estou reclamando, porque foi tudo maravilhoso, mas percebi que realmente preciso me organizar para uma atividade dessas. Me preparar física e psicologicamente para tal aventura.


O nosso roteiro era de uma semana com várias trilhas, rios, cachoeiras, hostel e até pedir carona se fosse preciso. Bom, começamos leve. Chegamos em Lençóis querendo fazer as trilhas sozinhos, mas nenhuma era recomendável. Procuramos várias agências até chegar na Associação e conhecer o melhor guia da cidade, Hernandes Muniz, (super recomendo), nos deu várias opções de passeio, negociamos valores, contou histórias e nos apresentou o Quilombo do Remanso. Pontualmente chegou para nos buscar no dia seguinte cedinho e percebeu a minha disposição para fazer trilha e ia num ritmo mais tranquilo.


Enfim, conheci lugares lindos por demais. Conheci um pouco da história daquela população. Fiquei chateada quando ouvi a dona do hostel querendo saber quem é que tinha feito o passeio por tal valor, como que eles conseguiam, se eles tinham carro e que um dia tinham que evoluir. Porém, fiquei muito contente ao ouvir a história do meu guia kkkk (sim já é meu, pois quando voltar vamos de Hernandes Muniz novamente), falando que trabalha há 21 anos nessa profissão. Que depois da proibição do garimpo essa era a única forma de renda e que ele tinha orgulho em ser guia, pois ele viveu aquela história, daquele local, diferente dos guias que estão chegando agora que aprendem a história nos livros, pois ele fez parte daquilo, o seu avó era garimpeiro. Bom fiquei muito emocionada mesmo. Ele e a família estão ampliando os negócios, fala mais de um idioma, aceitam cartões, carro próprio, e logo mais uma residência para hospedar turistas. No trajeto encontramos outros guias, acredito eu que também da Associação, que ouvia eles se referirem ao Hernandes como mestre, porque eu sou dessas né, escuto as conversas dos outros. Ver uma família negra resistindo firmemente nesse meio turístico dominado por pessoas brancas e de fora da região me deixa muito satisfeita e só tenho vontade de recomendar os seus serviços. Nós por nós. Isso faz toda a diferença.


Bom, eu não consegui completar o roteiro com Francis. Fiquei muito cansada, com dores nas pernas, passei muito frio nas noites de inverno na Chapada Diamantina, nem meus tênis resistiu e precisei me despedir na rodoviária de algum lugar de Francis. Subi no ônibus de volta para Salvador e ele seguiu viagem. Quem sabe um dia nos encontramos novamente, mas com a certeza que vivemos momentos maravilhosos desfrutando de uma natureza brasileira exuberante.


Só agradeço a Francis pelo convite, ao guia Hernandes Muniz pela trajetória e a Chapada Diamantina pela beleza. Em breve voltaremos para completar o roteiro.

Hernandes Muniz: (75) 9.9966.1525 / (75) 9.9904.1808































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